Foto: Milena Aurea/ A Cidade
Tivemos recentemente a eleição da presidência da Câmara de
Vereadores de Ribeirão Preto, bem como de sua mesa diretora.
Por várias razões se pode contestar ou criticar os eleitos,
notadamente, o Presidente da Casa de leis de Ribeirão. Mas agora, quero focar
num ponto; mais uma vez um homem!
Sim, lastimavelmente, mais uma vez.
Sem entrar no mérito de quem seria ou seriam as candidatas
vereadoras à presidência da Casa, de quais partidos são, mas focando
unicamente, agora, no gênero - masculino/feminino - e buscando sua igualdade,
verificamos que essa não se realiza. E há tempos não se realiza.
Voltando um pouco que seja na história, nos últimos 05 anos,
quem foram os presidentes da Câmara de Ribeirão? Homem, homem, homem, homem,
homem.
A situação já começa desigual na própria composição da Câmara. São
22 cadeiras na Casa, e apenas 02 delas são preenchidas por mulheres. Na
legislatura anterior eram 20 cadeiras, e mais uma vez, apenas duas delas
ocupadas por mulheres.
O foco agora é a recente eleição da presidência da Câmara, mas
aproveitando o ensejo e para aprofundar na análise da desigualdade, lembro que
a Prefeita de Ribeirão, Dárcy Vera, pertencente a outro poder da cidade, o
Executivo, é a primeira prefeita de Ribeirão. Antes, todos prefeitos.
Desigualdade que se verifica em todo o Brasil, e aqui, então, se
tem mais um reflexo da cultura de um povo, no caso, do povo brasileiro. Para
ficar em dois exemplos de âmbito nacional, e que podem ficar só em dois mesmo
porque são contundentes e pela contundência revelam o grande abismo da
desigualdade em que estamos; há apenas três anos (quase quatro) a primeira
mulher ocupou espaço na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, Dilma é a
primeira Presidenta da República.
Temos omissões e ações discriminatórias que fazem com que desde
os primórdios até hoje sejamos consideradas menos em grau de importância nos
diferentes trabalhos, e, notadamente, em cargos de direção. E com isso nossa
participação nesses cargos ainda é muito pequena e muito menor que de homens,
muito embora sejamos mais no total da população brasileira.
Todavia, quando a disputa ou escolha para um cargo se dá,
realmente, por critério de melhor técnica ou conhecimento, as mulheres lideram
a ocupação nos cargos de trabalho, exemplo enfático disso ocorre nos concursos
públicos.
Em casa, no trabalho, nos relacionamentos, temos que ocupar o
espaço que é da mulher, nem melhor, nem pior que o do homem, um espaço igual.
Todos nós somos uma individualidade que coexiste coletivamente, sem ter poder e
direito de anular o outro, portanto, a mulher não é substituível, ela é parte
da sociedade e a sua diferença com o homem traz a complementação necessária
para que possamos viver em harmonia em todos os aspectos.
A igualdade de fato também trará o respeito que está faltando
nas relações, e assim não veremos mais a violência praticada contra a mulher. A
cada 05 minutos uma mulher é espancada no Brasil. Em 70% dos casos o marido ou
namorado que bateu ou matou. Quase 70% das mulheres que procuram atendimento na
rede pública de saúde para curar ferimentos foram agredidas dentro de casa. Toda essa violência também é resultado
da discriminação. Discriminação que temos que destruir para que tenhamos
respeito, igualdade.
Que o resgate histórico que os novos tempos estão buscando fazer
sobre a discriminação sofrida pela mulher seja cada vez mais forte, aguerrido e
incansável, do contrário as transformações sociais que queremos ter para uma
sociedade mais justa e mais pacífica, não ocorrerão, porque só com igualdade de
fato teremos igualdade em direitos.
Somos todos partícipes da mesma sociedade, e, desse modo, todos
nós colheremos os frutos produzidos socialmente, sejam eles doces ou amargos. A
discriminação à uma mulher não é só a discriminação à uma mulher, é uma
agressão à todo o gênero feminino, aos
filhos e às gerações futuras que geradas com discriminação terão grande
probabilidade de também reproduzirem discriminação.
Raquel Montero
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