Raquel Montero

Raquel Montero

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Eleição 2.019 do Conselho Tutelar




Nesse domingo aconteceu em todo o Brasil a eleição para o Conselho Tutelar, onde foram escolhidos conselheiras e conselheiros para os próximos 04 anos. O processo de eleição passou por mudanças recentes estabelecidas por lei e que se mostraram muito positivas, como é o caso da prova que cobra das candidatas e dos candidatos conhecimentos do Estatuto da Criança e do Adolescente e a comprovação de experiência na área.


Na prática, porém, apesar das mudanças positivas na legislação ainda esbarramos em problemas que o Município, e as vezes outras esferas da Federação ou Poderes, causam. Aqui em Ribeirão tivemos problemas ainda arcaicos, como foi o caso das panes no sistema eletrônico das urnas que fez causar filas extensas nos locais de votação. Na zona eleitoral em que fiquei como fiscal, no Jardim Iguatemi, houve pessoas que ficaram mais de uma hora na fila.


Algo triste e desrespeitoso com todas as pessoas, tanto as que foram votar como as que estavam atendendo e sendo cobradas injustamente pelas pessoas que foram votar, por essas desconhecerem ou ignorarem a origem do problema. A simples existência de urnas da própria Justiça Eleitoral teria evitado esse problema.


Tive conhecimento de outros problemas que ocorreram em outras locais de votação, referentes a alagamentos e falta de energia elétrica em razão da chuva que ocorreu. Mas posso melhor falar acerca da zona eleitoral onde fiquei exatamente desde o início da votação, 08hrs, até o término dela, 17hrs.



O que foi ruim não pode mais se repetir, deve ser corrigido, mas quero dizer ainda mais, e aí quero falar do que foi bom, muito bom de testemunhar. Testemunhei todas as pessoas que ali estavam trabalhando, seja como eu, voluntariamente como ficais, seja as que estavam trabalhando pela Prefeitura de Ribeirão, se dedicando de verdade para que todo o processo corresse bem, com respeito, tranquilidade, agilidade, eficiência e lisura.


Todas as eventuais intercorrencias que surgiram no caminho foram com presteza e boa vontade resolvidas rapidamente pelas pessoas que ali estavam para trabalhar na eleição, e para além do trabalho a ser feito houve simpatia e empatia dessas pessoas. Falei da fila extensa que se formou em dado momento em razão das panes no sistema eletrônico da votação, mas até mesmo esse problema, na zona eleitoral em que eu estava, foi resolvido após reconhecido esforço e insistência da equipe técnica, e a maior parte do tempo a votação ocorreu com rapidez e sem filas naquele local.



Entre as e os fiscais estabelecemos uma junção de esforços com o objetivo de fiscalizar a eleição, sem qualquer predileção ou parcialidade, como deve ser mesmo o papel da/do fiscal. Em razão dessa união não tivemos, naquela zona eleitoral, nenhum dos famosos problemas que se houve falar com candidatos e candidatas no dia da eleição, bem como não tivemos qualquer briga ou "caso de Polícia". Posso dizer, por fim, que no local onde fiquei, e isso me dá alegria de dizer, as pessoas se respeitaram de verdade e de verdade cumpriram com o objetivo do ato.


E no fim, veio o resultado, que não é tudo em uma eleição, mas uma parte dela, e como resultado tivemos a feliz notícia de que entre as 15 vagas disputadas foram eleitos e eleitas pessoas progressistas que defendem os direitos das crianças e adolescentes com o instrumento correto para isso, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente, e não com um livro religioso. Conselho Tutelar não é lugar para doutrinação religiosa, é lugar para que se defenda os direitos das crianças e adolescentes.


Valeu!

Raquel Montero

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O PARALELEPÍPEDO DA NOVE DE JULHO NÃO É O PROBLEMA, A FALTA DE MANUTENÇÃO NELES É QUE É


Foto: Reprodução
 
 
 
 
Sabe aquele ditado popular que diz "não jogue o bebê fora com a água do banho"? Então, cabe como uma luva nessa história dos paralelepípedos da Avenida Nove de Julho, cartão-postal de Ribeirão Preto/SP, e os debates que se instauram com propostas equivocadas de substituí-los por asfalto. O problema não é o paralelepípedo, ao contrário, ele é solução para muitos problemas. O problema é a falta de manutenção neles. As ruas de asfalto também recebem reparos e manutenção, por que reclamar, então, quando a manutenção é nos paralelepípedos? O correto é que as distorções sejam corrigidas, que os desníveis e buracos sejam reparados, eliminando o que é ruim, que são esses problemas, e conservando o que é bom, que é o paralelepípedo. "Vai a água suja e fica o bebê."
 
 
Especialistas no assunto defendem o uso de paralelepípedo nas vias das cidades como meio mais seguro para as pessoas através do tráfego mais devagar de carros e como meio ecologicamente correto. Dentre essas/esses especialistas está a renomada arquiteta e urbanista, mestre e doutora, Raquel Rolnik, Professora Titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, que foi também Diretora de Planejamento da cidade de São Paulo e consultora de cidades brasileiras e latinoamericanas em política urbana e habitacional, Secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades entre 2.003 e 2.007, Relatora Internacional do Direito à Moradia Adequada do Conselho de Direitos Humanos da ONU (2.008 a 2.014), e é autora de livros e artigos sobre a questão urbana.
  
Explica Raquel Rolnik que os paralelepípedos são considerados ecologicamente corretos porque, com a característica de não contar com cimento ou outro material impermeável entre eles e abaixo deles, permitem a infiltração da água da chuva, fazendo a drenagem no local onde eles existem. As vantagens desta infiltração vão desde a recarga do lençol freático à diminuição da vazão da água direto para os mananciais, de maneira a diminuir os riscos de enchentes (e de enchente Ribeirão não quer nem ouvir falar).
 
 
Além desses benefícios os paralelepípedos contribuem para uma temperatura menos quente porque o asfalto tem o poder de absorver calor durante o período de insolação, este calor é liberado para o meio ambiente, o qual pode ser sentido pelas pessoas ao andarem pelas ruas asfaltadas. Com os paralelepípedos o comportamento é totalmente diferente, uma vez que este tipo de pavimento, por características geológicas da pedra, absorve menos calor. O paralelepípedo em contato direto com o solo de areia e terra de sua base, facilita a dispersão do calor absorvido, não irradiando o calor por muito tempo depois do período de insolação, deixando a temperatura mais amena e tornando o clima mais agradável.
 
 
E ainda, em mais dois aspectos o paralelepípedo ganha do asfalto; o financeiro e a durabilidade. A manutenção do paralelepípedo é mais barata do que a do asfalto e o pavimento de paralelepípedo tem mais resistência que o asfalto. O paralelepípedo em si não precisa de manutenção, mas, sim, a sua base. Já o asfalto é ele mesmo que sofre desgaste no tempo, precisando de remendos ou os famigerados "tapa-buracos".
 
 
É absolutamente possível ter vias regulares de paralelepípedo, e em uma rápida consulta na internet se pode constatar isso através de fotos e exemplos de onde elas existem, inclusive com existência secular e até milenar que permanecem até hoje.
 
 
Além de todos esses atributos quando o assunto envolver os paralelepípedos da Avenida Nove de Julho e a equivocada alternativa de substituí-los por asfalto, há que se lembrar que eles foram objeto de tombamento em 2.008, sob o Governo de Welson Gasparini, após decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (CONPPAC), assim como também foram tombados os pisos das calçadas adjacentes e as árvores Sibipiruna. E foram tombados após reconhecido os valores históricos e culturais desses patrimônios. Esse reconhecimento também foi feito por turistas, e um dos mais renomados sites de viagem do Brasil, o TripAdvisor, comprova isso. Neste site a Avenida Nove de Julho, inaugurada em 1.922, com seus paralelepípedos quase seculares e suas suntuosas Sibipirunas que fazem um corredor verde na cidade, tem mais de 390 avaliações sobre seu valor histórico e cultural.
 
O valor histórico e cultural desses patrimônios vem da história que eles acumulam no tempo, registrando fatos e momentos que formam a cultura de uma cidade e seu povo, e através da conservação da existência deles esse legado cultural pode ser melhor repassado às novas gerações, da maneira mais eloquente e que vai além dos registros meramente fotográficos e escritos. Um povo que não valoriza e conserva sua história e cultura é um povo pobre, que menos pode ensinar, aprender e aprimorar.
 
Que se faça, pois, as manutenções necessárias, e que se conserve o patrimônio da cidade. Afinal, quem ganha com a destruição da cultura e da história de uma cidade e de um povo?
 
Raquel Montero  

terça-feira, 17 de setembro de 2019

PARA QUE SERVE O CONSELHO TUTELAR E O QUE VOCÊ TEM COM ISSO?

Foto: Reprodução


No começo de 2.019 Ribeirão Preto/SP registrou 3.600 crianças sem vagas em creches, e em 2.018 Ribeirão terminou com um déficit de 3.000 crianças sem creche. Segundo dados do Anuário de Segurança Pública 2019 elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 04 horas uma menina com menos de 13 anos é estuprada no Brasil, na maioria das vezes o estupro aconteceu dentro de casa e em 76% dos casos os agressores são conhecidos das vítimas. As vítimas do sexo masculino são ainda mais jovens, tinham menos de 07 anos.
 
 
Em 2018, o Disque 100, canal de denúncias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, registrou 152.178 tipos de violações contra crianças e adolescentes no país. Em matéria recente feita pela Agência Brasil ela citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016 que mostram que o Brasil tem 2,4 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhando. Os adolescentes negros e pardos correspondem a 66,2% do total do grupo identificado em situação de exploração de trabalho infantil.
 
 
Essas crianças e adolescentes estão em situação de extrema violação dos seus direitos estabelecidos na lei, especialmente na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Que adulto se tornará uma criança ou adolescente que sofre violência física, moral, psicológica e ou sexual de sua própria família, dentro de seu próprio lar? Que adulto se tornará uma criança que não teve acesso a creche e escola? Como pode se desenvolver bem e plenamente uma criança que trabalha ou uma criança que não tem acesso a creche ou escola?
 
 
As marcas da violência e dos maus tratos não ficarão só nas crianças e adolescentes agredidos e abusados. As marcas ficarão na sociedade. Essas pessoas vão crescer e vão para a sociedade. Serão os próximos enfermeiros, policiais militares, juízas, governantes, professoras, médicas e demais outros/outras profissionais que irão atender outras pessoas nos mais diferentes trabalhos, nas mais diferentes necessidades da sociedade. E ainda que não fosse assim, a violência por si só, contra quem quer que seja, é uma injustiça e crueldade que temos que combatê-la.
 
 
A mensagem que fica quando se bate em uma criança ou adolescente com a justificativa de querer "educar" é que com violência se resolve os conflitos. Não é paz que queremos? Como ter paz usando de violência na educação, na criação, nos atos, nas palavras, nos pensamentos?
 
 
E um dos instrumentos para se impedir, corrigir e acabar com esses erros e abusos é justamente o Conselho Tutelar. O Conselho Tutelar é um órgão público encarregado pela lei de zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes.  Dentro da atribuição do Conselho Tutelar está a de receber denúncias e atender crianças e adolescentes vítimas de violência por ação ou omissão dos pais ou responsável, da sociedade ou do Estado.
 
 
E para desempenhar sua função o Conselho Tutelar recebeu da lei instrumentos e poderes, dentre eles; advertir e aconselhar os pais ou responsável; determinar a matrícula e frequência obrigatória em escola; inclusão em serviços e programas de apoio e proteção da família, da criança e do adolescente; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico; inclusão em programa de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; encaminhamentos a cursos ou programas de orientação; encaminhar denúncias ao Ministério Público e ao Judiciário; promover e incentivar na comunidade atividades e campanhas para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes.    
 
 
Ou seja, o Conselho Tutelar é um órgão público de extrema importância, com poderes e instrumentos de enorme envergadura que, se usados corretamente, como diz a lei e com a estrutura que prevê a lei, podem não só acabar com os maus tratos e violência contra a criança e adolescente, mas, inclusive, impedi-los. Para tanto, é necessário a valorização desse serviço público. E a valorização do Conselho Tutelar decorre também da participação e fiscalização da sociedade, que também tem o dever estabelecido na lei de proteger as crianças e adolescentes, sejam filhas/filhos de quem for, este é um dever e direito atribuído pela lei à família, ao Estado e a toda sociedade.
 
 
E nesse sentido, teremos um momento muito importante de contribuir, como cidadãs e cidadãos, na defesa de mais esse serviço público. No dia 06 de outubro ocorrerá em todo o Brasil a eleição de conselheiros/conselheiras para o Conselho Tutelar, com mandato de 04 anos, que são as pessoas incumbidas de executar os instrumentos e poderes do Conselho Tutelar. Para se candidatar é necessário o preenchimento de requisitos previstos na lei. Essas pessoas são eleitas através de votos de pessoas da população local do município. São aptos a votarem qualquer pessoa com mais de 16 (dezesseis) anos, que esteja regular com a Justiça eleitoral, inscrito como eleitor/eleitora em qualquer zona eleitoral de Ribeirão Preto, e se identifique mediante apresentação do título de eleitor e documento oficial com foto, preferencialmente RG. O horário para as pessoas irem votar é das 08h00m às 17hrs do dia 06 de Outubro.
 
 
Cada Conselho Tutelar deve ter 05 conselheiros/conselheiras. O trabalho dos conselheiros/conselheiras é remunerado com o dinheiro público, meu, seu, e de quem mais paga tributo. Em Ribeirão Preto existem 03 Conselhos Tutelares em diferentes regiões da cidade. Na eleição temos a oportunidade de escolher quem serão essas pessoas que terão a atribuição de proteger nossas crianças e adolescentes. Se você dá importância para isso, participe do processo e vá votar. Escolha bem para não reclamar depois.
 
 
          Raquel Montero 

terça-feira, 27 de agosto de 2019

PRAZO PARA RECLAMAR CORREÇÃO DE FGTS ENCERRA EM NOVEMBRO

Foto: Reprodução



Já faz alguns anos que pessoas que tiveram ou têm depósitos de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) estão ajuizando em todo o Brasil ações na Justiça Federal para ter aplicado em seus depósitos de FGTS efetiva correção monetária a partir de 1.999 até hoje, eis que, na prática, nesse período, a correção monetária aplicada não refletiu a variação inflacionária da moeda.
 
 
 As ações judiciais também têm a finalidade de receber da União e da Caixa Econômica Federal (CEF) a diferença de valores encontrada entre o que os depósitos de FGTS tiveram de real correção monetária e o que teria tido, de fato, se tivesse ocorrido a aplicação de índice correto de correção monetária que refletisse, realmente, a variação inflacionária da moeda no período a partir de 1.999 até hoje. 
 
 
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), os depósitos de FGTS acumularam perdas de 48,3% entre o período de 1.999 a 2.013, ou seja, o trabalhador e a trabalhadora titulares das contas de FGTS podem ter direito a receber quase o dobro do que efetivamente receberam em suas contas.  O prazo para discutir esse direito no Judiciário, no entanto, se encerra em novembro deste ano (2.019). Após essa data ocorrerá prescrição.
 
 
O FGTS foi criado com o objetivo principal de proteger financeiramente as empregadas e os empregados demitidas/demitidos sem justa causa, sendo uma substituição à estabilidade decenal estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e uma forma de amparar financeiramente e temporariamente a trabalhadora e o trabalhador demitida/demitido sem justa causa e que passassem a ficar sem renda em razão da demissão.
 
 
O FGTS, nesse sentido, cumpre função de seguro social, e tem previsão e proteção constitucional, estabelecidas no art. 7º, inciso I e III da CF. E para dar efetivo cumprimento à garantia constitucional de amparo financeiro à trabalhadora e ao trabalhador demitida/demitido sem justa causa, foi estabelecido na legislação a incidência de juros e correção monetária nos depósitos feitos na conta do FGTS para preservação de sua expressão econômica diante do tempo e da inflação. Desde 1.991 o índice aplicado para atualização dos saldos dos depósitos de poupança, por sua vez, é a Taxa Referencial (TR).
 
 
Eis ai o conflito existente e que justifica as ações judiciais. Como julgado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI´s) 4357, 4372, 4400, 4425, a TR não pode ser utilizada para fins de correção monetária, por não refletir o processo inflacionário brasileiro, e assim, não preservar a expressão econômica da moeda.
 
 
Quando da criação dessa regra em 1.990 a TR não produziu malefícios às trabalhadoras e aos trabalhadores, eis que, no início da década de 90 a TR se aproximava do índice inflacionário. Isso começou a mudar a partir do final da década de 90, no ano de 1.999, quando a TR apresentou defasagem em decorrência de alterações realizadas pelo Banco Central do Brasil (BACEN) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
 
 
A TR, deixando de refletir o processo inflacionário brasileiro, e assim, não preservando a expressão econômica da moeda, passou a produzir prejuízos para as trabalhadoras e trabalhadores titulares das contas de FGTS. Tal constatação fica ainda mais evidente comparando os índices da TR com os do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
 
 
Comparando os índices do IPCA e da TR, verifica-se que, até 1999 os dois estavam muito próximos, mas a partir do segundo semestre de 1999, os índices da TR ficaram quase sempre muito inferiores ao do IPCA, chegando ao final do período com o índice da TR igual ou muito próximo a 0%. Nessa comparação de índices, o mais impressionante ocorreu em 2.013. Nesse período, enquanto o INPC fechou em 5,56% e o IPCA em 5,84% a TR ficou em 0,19%.
 
 
Consoante estudo do DIEESE, nos últimos 18 anos, apenas de 1.995 a 1.998, a variação anual da TR superou a variação do INPC. Nos anos seguintes a TR é superada pelo INPC, com destaque para 2.003, quando a diferença foi maior que 10%. E em 2.013, quando o INPC fechou em 5,56%, e o IPCA em 5,84%, a TR terminou 2.013 em 0,19%.
 
 
Ainda segundo o estudo do DIEESE, após 1.999 a TR ficou tão defasada em relação ao INPC que, mesmo considerando o acréscimo do juros capitalizados de 3% ao ano previstos na lei, a partir de 2.012, a correção acumulada de Juros e TR das contas do FGTS torna-se inferior à inflação acumulada em igual período.
 
 
Dessa forma, a cada mês que passou dentro do período especificado os depósitos do FGTS foram corroídos pela inflação, causando prejuízo aos titulares das contas de FGTS.
 
 
Segundo o INSTITUTO FGTS FÁCIL, do dia 10/12/2.002 até o dia 10/05/2.010, os expurgos da TR, referente às diferenças da TR com relação ao IPCA, geraram uma perda de 64 bilhões para as trabalhadoras e os trabalhadores titulares das contas de FGTS, e em 2.013, a defasagem da TR com a inflação implicou um prejuízo de 27 bilhões.
 
 
É possível afirmar, portanto, que não está sendo feita correão monetária nos saldos das contas do FGTS e também que inexiste remuneração dos saldos, pois os juros de 3% ao ano que deveriam servir para remunerar o capital, já que essa é a função do juro, sequer são suficientes para repor a desvalorização da moeda no período.
 
 
E medida de justiça, então, que os depósitos de FGTS, realizados desde 1.999 até hoje, sejam corrigidos substituindo-se a TR pelos índices do INPC ou IPCA-E, que são índices que têm refletido a variação inflacionária brasileira. Estes índices também são os adotados pelo Poder Judiciário para a correção de valores em ações judiciais, e o INPC é o índice oficial adotado para a correção do salário mínimo brasileiro, conforme Lei Federal nº 12.382 de 2.011.
 
 
As ações judiciais abrangem todos os depósitos realizados na conta de FGTS, dentre eles os valores já sacados, que, independentemente de terem sidos sacados ou não, fazem jus à correta correção monetária.
 
 
       Raquel Montero 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

E AI, NOGUEIRA, O CORAÇÃO TEM CERTAS RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE?




A denúncia envolvendo o Prefeito Duarte Nogueira do PSDB e sua esposa Samanta Duarte Nogueira, continua sendo apurada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e também pela Polícia Federal (PF). 
 
Em Outubro de 2.018, o Vice-Prefeito Carlos Cezar Barbosa (antes do PPS e agora do Cidadania), que na época também era Secretário Municipal de Assistência Social de Ribeirão Preto/SP, enviou uma carta a integrantes de cargos de confiança indicados por ele, onde acusou o Gabinete do Prefeito Nogueira de uso da máquina pública em benefício particular, em razão de, supostamente, ter pedido a ocupantes de cargos em comissão doações financeiras para a campanha de sua esposa Samanta, na época candidata a deputada federal também pelo PSDB, e que não foi eleita.  À imprensa o Vice-Prefeito confirmou a autoria da carta e o Ministério Público Eleitoral recebeu representção sobre a denúncia.
 
O vereador Lincoln Fernandes (PDT) afirmou, na época, ter recebido durante o seu programa de rádio uma mensagem de um suposto servidor municipal confirmando a existência de reuniões para pedir contribuições financeiras para a campanha da esposa de Nogueira.   
 
O MPSP solicitou à PF investigação sobre o proprietário do número de telefone que supostamente teria sido usado para enviar mensagens para servidores comissionados solicitando doações para a campanha da esposa de Nogueira, e segundo o MPSP, há três meses a PF está investigando as mensagens. Testemunhas também já foram ouvidas.
 
A denúncia é grave e, se realmente se constatar que aconteceu o fato, há muitas consequências negativas para a sociedade, uma delas, inclusive, seria a fraude na disputa eleitoral, maculando a eleição de 2.018. E esse fato, por alguns aspectos, nos remete a outro fato também envolvendo Nogueira, aquele emblemático e lastimável em que Nogueira falou para uma colega deputada federal; "O coração tem certas razões que a própria razão desconhece".
 
Aconteceu em 2.013, quando Nogueira ainda era deputado federal pelo PSDB, e quando o Ministro da Justiça, na época, José Eduardo Cardozo, foi à Câmara Federal para falar a respeito dos casos "Siemens" e "Alstom", que envolvem denúncias de cartéis de corrupção em licitações no Estado de São Paulo durante os governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do mesmo Partido de Nogueira, o PSDB.
 
As denúncias apontam fraudes em licitações com superfaturamento em obras e serviços contratados por estes governos, para desvio de milhões dos cofres públicos em benefício de particulares. A situação não poderia ser mais degradante, mas Nogueira conseguiu torná-la pior.
 
Durante a oitiva do Ministro, Nogueira, sem argumentos para contestar as denúncias que recaem sobre governos do seu Partido no Estado de São Paulo, atacou a vida amorosa da então Deputada Federal Manuela D´Àvila (PCdoB).
 
"O coração tem certas razões que a própria razão desconhece", disse Nogueira à sua colega de trabalho Manuela D´Ávila, após ela defender a atitude do Ministro da Justiça de mandar investigar as denúncias que chegaram a ele sobre fraudes em licitações durantes os governos do PSDB em São Paulo (veja a declaração de Nogueira em https://www.youtube.com/watch?v=ndTuMk4n044&feature=youtu.be). A declaração de Nogueira quis remeter o assunto para o namoro que ocorreu no passado entre Manuela e o Ministro.
 
A fala de Nogueira foi seguida de protestos do Ministro, de Manuela e de parlamentares, que acusaram Nogueira de quebra de decoro parlamentar, e ocorreu no mesmo dia em que a Câmara Federal estava organizando uma comissão geral para discutir o fim da violência contra a mulher (04/12/2.013).
 
Muito se poderia dizer a respeito da declaração de Nogueira, para começar, que foi infeliz e leviana, foi a demonstração da total falta de argumentos e pobreza de conhecimento de Nogueira expressadas nesse comportamento, que, ao não saber argumentar com fundamentos e informações partiu para a baixaria numa atitude despolitizada, desrespeitosa e leviana, incompatível com quem quer mudar a política e a cultura machista deste país.
 
Os contextos são diferentes, no fato que ocorreu na Câmara Federal, Manuela não estava sendo investigada de nada, ao contrário, estava defendendo que uma investigação que enolve Governos do PSDB fosse feita e foi ai que Nogueira a atacou, já no caso de Ribeirão Preto, a denúncia recai sobre o Gabinete de Nogueira e sua esposa que foi candidata a deputada federal, mas, com relação apenas à frase ignóbil de Nogueira, nas ironias da vida, será que corre sobre Nogueira o receio de agora ele ouvir de alguém, nessa situação que envolve ele e sua esposa, o mesmo que ele falou para sua então colega deputada federal? Será que Nogueira pensa que quem com leviandade fere com leviandade será ferido?
 
Ou ainda, nessa situação que o MP e a PF estão investigando em Ribeirão Preto e que envolve Nogueira e sua esposa, será que Nogueira cometerá novamente a tolice de usar a mesma frase, que vai achar a frase pertinente de alguma forma como achou com sua então colega deputada federal, só porque aqui tem duas pessoas que têm um relacionamento amoroso? Ou Nogueira só tem comportamento despolitizado e leviano quando lhe falta argumentos para desconstruir os argumentos de uma mulher, como fez com sua então colega deputada federal?
 
 Raquel Montero