Raquel Montero

Raquel Montero

sexta-feira, 15 de março de 2019

ENTREVISTA NO PROGRAMA METAMORFOSE DO GRUPO THATHI DE COMUNICAÇÃO



No 8 de março desse ano, última sexta-feira, fui convidada para falar sobre o Dia Internacional da Mulher no Programa Metamorfose do Grupo Thathi de Comunicação, que é transmitido no 91.3 da rádio FM. Foi mais uma oportunidade de falarmos das lutas por igualdade, respeito e liberdade entre todas as pessoas.


   O programa também pode ser assistido no link:

sábado, 9 de março de 2019

8 de março em Ribeirão. Um dia de lutas!



Ontem vivemos mais um 8 de março para comemorações e lutas, sobretudo, lutas, reivindicações e protestos. Avançamos em muitas conquistas, mas ainda há muito o que fazerrmos para acabarmos com as desigualdades, injustiças e violências na relação entre homens e mulheres e no tratamento diferenciado que a sociedade e o mercado de trabalho fazem entre homens e mulheres, e a realidade está ai para provar essa desigualdade.



A cada 05 minutas uma mulher é vítima de violência no Brasil, em 70% dos casos o agressor é o próprio marido ou ex-marido, companheiro ou ex, namorado ou ex. Em 70% dos casos a violência aconteceu dentro de casa, do ambiente doméstico e familiar. 50% das mulheres que tiram licença-maternidade no Brasil não conseguem retornar ao mercado de trabalho, simplesmente porque se tornaram mães. As mulheres ganham cerca de 30% a menos que os homens, apesar de desempenharem a mesma função, o mesmo trabalho, e se a mulher for negra, ganha ainda menos que a mulher branca com relação ao homem. Em 2017 tivemos 445 mortes de pessoas da população LGBTI+ no Brasil, em 2018, antes de encerrarmos o mês de dezembro, o Brasil já registrava cerca de 398 mortes de pessoas da população LGBTI+.



Na última eleição avançamos na ocupação de espaços em algumas esferas da federação, mas a discrepância ainda é enorme. Na eleição de 2014 para a Câmara Federal, de 513 cadeiras, foram eleitas apenas 51 mulheres, deputadas federais, o restante, homens, deputados federais. Na eleição de 2018, das 513 cadeiras, foram eleitas 77 mulheres, o restante, homens. No Senado, de 81 cadeiras, na eleição de 2014 foram eleitas 13 mulheres, na eleição de 2018 foram eleitas 07 mulheres, o restante, são homens, senadores. Na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, de 94 cadeiras, na eleição de 2014 foram eleitas 11 mulheres, deputadas estaduais, o restante, homens, deputados estaduais, e na eleição de 2018 foram eleitas 18 mulheres, o restante homens. Na Câmara Legislativa de Ribeirão Preto temos apenas 01 vereadora para 27 cadeiras, o restante são homens, vereadores, na eleição de 2009 foram eleitas 02 mulheres para 20 cadeiras, na eleição de 2012 foram eleitas 02 mulheres para 22 cadeiras. Dilma foi a primeira mulher presidenta do Brasil, o restante, todos homens. Darcy Vera foi a primeira mulher prefeita de Ribeirão Preto, o restante, homens, prefeitos. Fátima Bezerra do PT foi a única mulher eleita governadora no Brasil na eleição de 2018, no Rio Grande do Norte.



As mulheres são a maioria da população brasileira, representam cerca de 52% da população, e os homens 48%, em Ribeirão Preto/SP essa percentagem se repete. Nós, homens e mulheres, temos que ter consciência e certeza de que não existirá projeto de desenvolvimento para o Brasil, nem efetivo desenvolvimento, se todas as diferenças não estiverem representadas na parte central desse projeto. Não existirá projeto de desenvolvimento para o Brasil, nem efetivo desenvolvimento, se a mulher não estiver na parte central desse projeto.



Não existirá liberdade para o povo brasileiro se nós não garantirmos liberdade e respeito à todas as pessoas, se nós não garantirmos liberdade e respeito às mulheres. Não teremos desenvolvimento se não revogarmos a reforma trabalhista, que precarizou as condições de trabalho no Brasil e permitiu que trabalhadores e trabalhadoras passassem a ganhar menos que 01 salário mínimo por mês, que permitiu que trabalhadoras grávidas, lactantes, possam trabalhar sob condições insalubres e perigosas. Não teremos desenvolvimento se não revogarmos a Emenda Constitucional 95 que cortou investimentos por 20 anos no Brasil para as áreas sociais da saúde e da educação.



Interessante notar que os mesmos que aprovaram essa emenda não cortaram dinheiro para pagar a dívida pública, para pagar os bancos e as financeiras desse país, mas cortou dinheiro para a saúde e a educação. E ai, mais uma vez a primeira pessoa a ser prejudicada e responsabilizada é a mulher, porque toda a vez que o Estado falta nas escolas, nas creches, nos postos de saúde, nos hospitais, são as mulheres que são responsabilizadas, porque são as mulheres que têm que deixar seus trabalhos para ficar em casa cuidando de seus filhos porque não tem vaga em creche, são as mulheres que têm que ficar nas filas dos hospitais, dos postos de saúde porque não tem médicos/médicas para prestar o atendimento.



Há muito o que mudar ainda, por isso, mais um 8 de março de lutas. E aqui em Ribeirão Preto/SP fizemos a nossa manifestação nesse 8 de março, no centro da cidade, no calcadão de Ribeirão em frente ao Teatro Pedro II, inclusive com contestações e reivindicações de competência de todas as esfera da federação, federal, estadual e do governo municipal, que aqui em Ribeirão desde de 2017 é comandado pelo Prefeito Duarte Nogueira do PSDB.



Mulheres representando movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, entidades de classe, organizações não governamentais, estudantes, se manifestaram e elaboraram um manifesto que foi distribuído para a população de Ribeirão, bem como uma carta de reivindicações onde também foi coletada assinaturas de pessoas da população para ser entregue ao Prefeito, aos vereadores, a vereadora e aos representantes do Judiciário da comarca de Ribeirão.



Essa carta de reivindicações consiste em necessidades urgentes do município de Ribeirão, tais como mais creches para extinguir com o déficit de cerca de 3 mil crianças sem vagas em creches, a criação da Secretaria Municipal da Mulher e o funcionamento 24 horas da Delegacia de Defesa da Mulher.



Demos o recado e o tom de nossos anseios. Mostramos que a luta por igualdade, respeito e liberdade para todas as pessoas continuará, independente dos obstáculos que queiram colocar no nosso caminho. Tirem suas armas, tirem seu ódio do nosso caminho que nós vamos passar com o nosso amor, nossa esperança e nossa luta por igualdade, respeito, liberdade, por Marielle, por Luana, por LulaLivre.


Raquel Montero



















sexta-feira, 8 de março de 2019

Entrevista sobre desigualdade entre homens e mulheres em cargos políticos

Em matéria da Revide fui entrevistada nesse 8 de março de 2.019 para falar da desigualdade entre homens e mulheres em cargos políticos. Avançamos, mas ainda há muito que conquistar. Avante e um 8M de luta a todos e todas nós! Link da matéria na Revide:




Mulheres ainda são minoria em cargos de destaque na política de Ribeirão Preto

Por outro lado, a média salarial se mostra competitiva entre homens e mulheres no funcionalismo público

   
Apesar de representar a maioria na população de Ribeirão Preto, as mulheres ainda são a minoria quando o assunto é política na cidade.  O caso mais evidente é o da composição da Câmara na cidade, com 26 vereadores homens e apenas uma mulher.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, a população ribeirãopretana atualmente tem 52% de mulheres e 48% de homens. Número que não passa nem perto da composição da Câmara Municipal: 3% feminina e 97% masculina.
A desigualdade se reflete também nos gabinetes, onde a relação é de 6 homens para 4 mulheres. O cargo de assessor direto, função com a remuneração mais alta, é ocupado em 73% dos gabinetes por homens, e em apenas 27% por mulheres.
Esta diferença não se restringe somente aos parlamentares. Atualmente, as mulheres correspondem a 72% do quadro do funcionalismo público municipal, segundo dados da própria Prefeitura. Contudo, os homens representam o dobro das mulheres nos principais cargos do Executivo, incluindo secretários, superintendentes e responsáveis por autarquias.
Por outro lado, de modo geral, a média salarial se mostra competitiva entre homens e mulheres no funcionalismo público. Dentre os 100 servidores municipais com os maiores salários, 47 são de homens e 53 são de mulheres. Contudo, a média é de R$ 12 mil para homens e R$ 11 mil para mulheres.
Não obstante, se colocados lado a lado, os 100 maiores salários masculinos e os 100 maiores salários femininos, as mulheres saem na frente. A média salarial liquida dessas mulheres é de R$ 16 mil, enquanto a dos homens é de R$ 15,8 mil.
Nas eleições
Nas últimas eleições, o número de mulheres que saíram candidatas pela região de Ribeirão Preto também foi baixo. Apensas 18% dos candidatos da região eram mulheres: ao todo, foram 54 candidatos, sendo 110 mulheres e 44 homens.
Para a advogada Raquel Montero, a baixa quantidade de mulheres candidatas não é um fato restrito apenas a Ribeirão Preto, mas um reflexo do que acontece no Brasil e no mundo.
Raquel explica que uma série de fatores impede a mulher de chegar aos cargos de poder. A advogada analisa que não se trata apenas do voto.  A eleição, segundo Raquel, é apenas a última etapa do processo.  
"Para termos mais mulheres na política, precisamos de condições para viabilizar isso. Mulheres casadas, com filhos, e que fazem serviços domésticos além do trabalho têm menos tempo livre do que os homens", analisa a especialista.
Desigualdade Nacional
Segundo levantamento feito pela advogada, a desigualdade entre gêneros não é um fato presente somente em Ribeirão Preto. No Senado Federal, são sete senadoras, para 74 senadores. Na Câmara, são 77 deputadas para 436 deputados. Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), são 18 deputadas para 76 deputados.
Apesar da população brasileira ser composta de 51,6% mulheres e 48,4% de homens, segundo o IBGE, em nenhuma situação dentro da política as mulheres são maioria. “Com esses números, podemos dizer que embora tenhamos mudanças na legislação, infelizmente na realidade nós ainda convivemos com muita desigualdade”, conclui Raquel.
Foto: Aline Pereira / Câmara Ribeirão Preto

sexta-feira, 1 de março de 2019

PELA LIBERTAÇÃO DOS PÁSSAROS PRESOS EM GAIOLAS





Fiz esta poesia em defesa da libertação de todos os pássaros que, lastimavelmente, ainda hoje, vivem (ou sobrevivem) presos em gaiolas. Um hábito maléfico que tortura outro ser vivo.




Pela libertação dos pássaros presos em gaiolas




Pássaro voa.
Asas a natureza te deu.
E te deu para voar
e não para te engaiolar.



Pássaro voa,
que há tanta imensidão,
e privá-lo de conhecê-la,
é condenação.



Pássaro voa
e mostra toda sua exuberância.
Rodopia,
dança no vento,
toma banho na chuva,
bica a pipa,
compete com o avião,
come semente misturada com grão.
Viaja sob suas asas,
do sul até o sertão,
sem pagar frete nem poluir a nação.



Pássaro voa
e canta a alegria de viver livre,
podendo escolher onde quer dormir,
parar, observar, amar, voar.
Mostra que livre manifesta seu canto,
e na gaiola seu canto virá lamento,
grito de socorro,
choro de seu sofrimento.



Pássaro voa
e tenta escapar da gaiola que te aprisiona,
que te mutila as asas,
que te condena à solidão,
na mais fúnebre prisão,
que nem ao menos te permite bicar o chão.
Chão que tão longe está,
assim como longe está o céu, de sentir as batidas do seu coração,
que na gaiola já não bate porque perdeu a emoção.



Pássaro voa
e salva seus amigos das gaiolas
que lhes roubam as almas
e as comercializam para os homens sem compaixão,
que não enxergam o encanto de te ver voar livre
e cantar as letras que abriga seu coração.



Pássaro voa
e instiga os seres de bom coração,
à buscar a libertação
de todas as formas de opressão,
que dilaceram os sentimentos,
corroem os sonhos,
entristecem os pensamentos
e aniquilam com a essência da criação,
que te fez pássaro e não vegetação.



Pássaro voa
e ensina que sua vida é da natureza
que te gera, te protege e te cria
na mais sábia harmonia,
sem nunca te aprisionar nem impor carta de alforria.
Ensina que sabe viver sem precisar do alpiste humano
que te impede de trabalhar
no falso argumento
que faz isso por te amar.
Ensina que o humano que te ama,
 abre a gaiola para você voar,
e viver a vida com a liberdade que as asas do seu corpo
foram feitas para desfrutar.



Pássaro voa
e ensina que aquele que te mantém preso,
preso também está,
na ilusão de que se consegue engaiolar um coração,
quando na verdade o que se tem
é um corpo em destruição.



Ensina que para te ouvir cantar não precisam te prender,
basta uma árvore plantar ou o céu observar,
e assim, seu canto não será lamento,
mas expressão do seu contentamento,
pela liberdade que respeitaram
que fosse vivida como anseia seu sentimento.


Raquel Montero