A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Para que serve a utopia então? Serve para isso; para que eu não deixe de caminhar.
Raquel Montero
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Coisas belas e sujas
Um rim vale um
passaporte, uma necessidade vale uma exploração, a ganância justifica a
opressão. É isso?
Em Coisas belas e sujas, um filme britânico, a substituição dos
valores principiológicos por preços, fazendo com que a pessoa seja mero meio
para o alcance dos fins materiais foi muito bem retratada com contundência e
sensibilidade pelo diretor Stephen Frears. Seja em
Londres, seja no Brasil, ainda precisamos evoluir muito na convivência humana.
terça-feira, 13 de março de 2012
CPI da COHAB
Dentre os recentes acontecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COHAB está o aviso dos vereadores Jorge Parada (PT), Gilberto Abreu (PV) e Bertinho Scandiuzzi (PSDB) que não irão mais participar da CPI da COHAB, porque dentre as razões que os motivaram está a de que tudo que pedem na CPI lhes é negado e seus pedidos se tratam de providências pertinentes a serem tomadas pela CPI e que influenciariam o resultado dos trabalhos.
Aviso que não agrada eis que esses vereadores fazem parte do bloco de oposição ao governo municipal e os demais vereadores da CPI integram a base aliada do governo, então, para uma situação equânime, seria melhor termos vereadores dos dois sentidos.
E isso também fica desagradável para os demais vereadores que continuam na CPI, uma vez que, contando eles com a participação dos vereadores do bloco de oposição teriam seus trabalhos na CPI melhor avaliados pela população, que enxergaria a situação equânime mencionada acima, ao revés, sem a participação dos vereadores oposicionistas, a população não terá a mesma concepção, afetando a imagem dos vereadores aliados ao governo municipal e dos trabalhos desenvolvidos na CPI.
Então, para coerência e equanimidade, características que também fazem parte dos governos democráticos, melhor será, tanto para a imagem dos vereadores da base aliada do governo como para a qualidade dos trabalhos da CPI, que estes vereadores acolham os requerimentos feitos pelos vereadores oposicionistas, até porque não é impertinente ouvir as pessoas citadas pelos vereadores oposicionistas, e a ausência dessa oitivas além de influenciar no resultado da CPI ainda redundará na dúvida popular do envolvimento da prefeita no esquema de fraude na Cohab, porque se continuará pensando; e se tivessem ouvido aquelas pessoas, será que não encontrariam nada no depoimento delas?
Onde há fumaça há fogo, não é isso que se diz há séculos?
Ademais, porque o vereador presidente da CPI, Walter Gomes, disse que a CPI está caminhando para a sua conclusão se ainda não juntaram nela as requisições de quebra de sigilos de dados e comunicações telefônicas?
A quebra de sigilo poderá dar andamento total diferente aos trabalhos da CPI com divulgação de informações preciosas, que acreditamos ser de interesse não só da população e dos vereadores oposicionistas, mas também da base aliada do governo municipal. Então, não poderá ocorrer conclusão da CPI sem a análise das informações que esse sigilo acoberta, em atitude coerente com a fiscalização atribuída legalmente ao Poder Legislativo.
Raquel Bencsik Montero
domingo, 11 de março de 2012
Educação para o respeito com os animais
Por Raquel Bencsik Montero
Na causa animal temos uma boa notícia. É o
projeto de lei nº 2833 de 2011 de autoria do deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB-SP),
cuja íntegra do texto pode ser conferida no link http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=529820 e o qual pediria que se concordarem com o projeto que votem a favor dele na enquete que existe no mesmo link, isso tem uma certa influência na votação do projeto pelos parlamentares e pelo Poder Executivo.
Esse projeto aumenta as
penas criminais aos condenados por práticas que causaram mal aos animais,
alterando assim várias penas estabelecidas na lei nº 9.605 de 1.998, conhecida
como lei dos crimes ambientais, em suma, tornando mais rígidas as sanções.
É uma boa iniciativa e
mais um ponto positivo para a causa animal eis no que se refere às penas
existentes atualmente, elas são muito brandas e comumente substituídas por
cestas básicas, de maneira que, não atinge a um dos objetivos da pena que é a
intimidação coletiva (de todos da sociedade) e individual (especificamente do
condenado criminalmente e que está sofrendo a punição), porque o condenado não
vê no pagamento de cestas básicas uma grande reprimenda e assim, faz com que não
deixe de maltratar os animais em razão do temor da punição, já que o temor,
nessa situação, é insignificante ou inexistente.
A iniciativa, como já
disse, é boa, porém, não deve ser entendida como solução.
A solução para os
crimes contra os animais bem como para qualquer crime vem da conjugação de vários
fatores, onde a punição é apenas um deles, mas de forma alguma o único ou
principal.
Muitos fatores devem
ser conjugados e ponderados na análise do crime e da criminalidade e, por
conseguinte, na solução destes problemas.
Notadamente nos crimes
contra os animais posso citar aqui, a título de exemplo, o fator educação que
deve ser aplicado, desenvolvido e constantemente avaliado na causa animal. E a
educação que falo nesse sentido é a educação de valores para a causa ambiental,
onde se inclui a flora e a fauna, desenvolvendo e estimulando o respeito ao
meio ambiente em todas as suas formas, a conscientização de práticas
equilibradas, respeitosas e sustentáveis com todos os seres da natureza e da
natureza como um todo. Daí se falaria, por exemplo, da guarda responsável de
animais, da adoção de cães e gatos ao invés da compra desenfreada e capitalista
que em muito desrespeita cães e gatos, seja pelos pets shops seja pela pessoa que compra o animal e não recebe
nenhuma orientação acerca de guarda responsável.
Deve-se também analisar
a personalidade do criminoso condenado pelo Judiciário, uma vez que várias
pesquisas já demonstraram que aquele que maltrata os animais não humanos está a
um passo de maltratar os animais humanos e que muitas vezes maltrata os animais
não humanos porque não havia um humano na mesma situação, senão, o humano é que
teria sido agredido.
Deve-se analisar o
contexto social em que o crime contra o animal foi cometido. O Poder Público que
não valoriza seus animais e não tem e ou estimula educação ambiental e práticas
respeitosas em favor dos animais não dá bom exemplo na causa animal e dessa
forma acaba, agora sim, estimulando ou permitindo, seja pela sua omissão, seja
pela sua má ação, uma sociedade despida de valores éticos e princípios respeitosos
concernentes aos animais, onde resulta, por conseguinte, nos maus tratos aos
animais.
A reprimenda é válida
quando proporciona reflexão, conscientização e aprendizado, do contrário, ela é
tão somente uma punição com caráter de vingança, que redunda em mais
sentimentos e ações negativas, em que aquele que maltratou e foi condenado
somente sente a reprimenda como vingança e não é tocado pelo maior objetivo da
pena; a reflexão e conscientização, tanto para ensinar o condenado como para
prevenir novas ações prejudiciais aos animais tanto por parte do condenado como
da sociedade que está assistindo à punição.
Nessa idéia então, junto a esse projeto de lei
ou a um outro independente deve-se estabelecer, por exemplo, educação
especificamente dirigida para a causa animal, onde poderia ser aplicada nas
escolas, faculdades que tenham cursos pertinentes à matéria, centros de
zoonoses, também cursos agregados aos pets
shops e às feiras de adoção de cães e gatos onde todo aquele que pretende comprar
ou adotar um animal deve obrigatoriamente participar de um curso preparatório
para a criação desses animais.
Vejo sucesso na educação
e reincidência na ausência dela. A educação é a fonte e o caminho para a evolução.
Ela proporciona a reflexão e o aprendizado que fazem a evolução acontecer na
vida e na sociedade. Se é isso que
queremos com a punição, é a educação, então, que devemos buscar.
E na corrente pelo
respeito aos animais existem, dentre vários, dois excelentes documentários de
nome A carne é fraca e Terráqueos. Ambos falam de maneira analítica,
histórica, filosófica e científica de questões éticas e filosóficas relacionadas à vida com os animais. E ambos podem ser assistidos no youtube:
A carne é fraca:
Terráqueos:
quarta-feira, 7 de março de 2012
Ficha Limpa
Por Raquel Bencsik Montero
A lei complementar nº 135
de 2010, conhecida como “Lei Ficha Limpa” foi objeto de duas ações declaratórias
de constitucionalidade e uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).
As ações foram
apreciadas conjuntamente pelo STF e o julgamento
delas se deu em 16 de fevereiro de 2.011 (vide informativo nº 655 do STF).
Por maioria de votos o
STF decidiu que a lei complementar nº 135/2010 é integralmente constitucional,
podendo ser aplicada nas eleições do presente ano, alcançando atos e fatos
ocorridos antes de sua vigência.
Entre muitos pontos
turbulentos da lei e entre as turbulências que esses pontos geraram, agora mesmo
sem o trânsito em julgado da decisão o candidato a mandato público poderá ser
impedido de participar das eleições se decisão contrária a ele for proferida
por um órgão colegiado de segunda instância.
Situação em que se
discutiu muito acerca do princípio da presunção de inocência, eis que a pessoa é
considerada inocente até que se prove o contrário em decisão transitada em
julgado, ou seja, em decisão em que não caiba mais recurso, ao revés, enquanto
não transitou em julgado uma decisão a pessoa ainda pode recorrer de maneira a,
inclusive, demonstrar o contrário do que foi demonstrado na decisão anterior de
que ela está recorrendo.
A ausência de trânsito
em julgado é um tanto quanto perigosa eis que trapaças e armadilhas sempre
podem ser inventadas por adversários e às vezes sair delas pode demandar tempo
e oportunidades e ai, o inocente nessa situação é muito injustiçado.
É a hipótese de se
pensar se a falta de punição não é melhor que uma potencial injustiça.
terça-feira, 6 de março de 2012
Simplicidade
Em sentido
oposto ao do capitalismo e do consumismo está a simplicidade. E em homenagem à
simplicidade, uma música;
sexta-feira, 2 de março de 2012
Reunião com os moradores das favelas do Jardim Aeroporto
Por Raquel Bencsik Montero
Reunião realizada no dia
29/02/2012 na Associação Comunitária de Moradores do Jardim Aeroporto para
tratar das favelas do Jardim Aeroporto.
Em resumo, minha fala, que constou
na ata da reunião.
Resumindo,
em minha fala objetivei esclarecer os moradores de seus direitos, da ameaça de
desocupação e do que poderíamos fazer para não só evitar a desocupação forçada
como para tentar fazer com ela, se vier a ocorrer, ocorra tão somente na
hipótese dos direitos individuais e sociais de todos os moradores estarem
resguardados.
Falei
da previsão que a Constituição Federal e demais leis dela oriunda fazem dos
direitos das pessoas e de como eles devem ser respeitados por todos, inclusive
pelo Poder Público, que deve dar o bom exemplo sempre.
Falei
que na situação em que eles estão há um conflito de interesses: de um lado o
direito de propriedade do proprietário da terra que eles estão ocupando, do
outro lado o direito de todos os ocupantes da terra a também terem suas
propriedades, incluindo a da própria terra que estão ocupando, oportunidade que
falei do possível usucapião que muitos deles tem direito.
Ao
falar do usucapião expliquei a eles como descobrimos esse possível direito que
muitos deles fazem jus e foi quando entrei no mérito do levantamento cadastral
nos núcleos de favelas realizado na Avenida João Pessoa.
Expliquei
que o levantamento cadastral tem o objetivo de verificar as condições das
favelas e dos moradores que nela vivem, analisando os seguintes pontos que a
lei considera de fundamental importância e aos quais devemos chamar a atenção
do Poder Público e da imprensa: existência de gestantes, de crianças, de
adolescentes, de idosos, de deficientes, de pessoas com direito a usucapir a
terra que estão morando, de pessoas excluídas de programas habitacionais.
Expliquei
que a lei considera de fundamental importância esses aspectos porque protege
absolutamente (em todas as situações) essas pessoas que especifiquei, não
permitindo qualquer ameaça, por menor que seja, à essas pessoas, bem como a lei
protege o direito ao usucapião em confronto com o direito de propriedade do
próprio proprietário.
Dessa
forma, o Poder Público, seja a prefeita, seja o juiz, devem, antes de qualquer
medida referente à terra ocupada, analisar cuidadosamente todos esses aspectos,
não devendo nenhuma desocupação ocorrer sem que a proteção absoluta que a lei
prevê à essas pessoas, e os direitos consagrados constitucionalmente, sendo
estes, o direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança, à propriedade, à educação, à saúde, à
alimentação, ao trabalho, à moradia, ao lazer, à segurança, à previdência
social, à proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
estejam resguardados, em todas as situações de desocupação de terra, ou seja,
para onde quer que os moradores sejam levados na hipótese de desocupação
forçada, tem que ter, em palavras simples, moradia digna, posto de saúde,
escolas, transporte, enfim, condições para uma vida digna.
Expliquei
que o levantamento cadastral tem o procedimento de ser formalizado e encaminhado
à Prefeita Darcy Vera, com cópia do protocolo da carta dirigida à Prefeita,
encaminhado aos órgãos de proteção dos direitos em questão, sendo estes, o Ministério Público, à Defensoria Pública, à
Ordem dos Advogados do Brasil e à Vara da Infância e da Juventude do forum de
Ribeirão Preto, para que nenhum desses órgãos e entidades aleguem
desconhecimento, e, ao mesmo tempo, para que, todos acompanhem a
situação e tomem as providências necessárias, já que é dever de todos estes à
proteção objetivada na carta.
Expliquei que a imprensa deu cobertura ao
protocolo da carta o que ajuda a causa, seja pela divulgação e conscientização,
seja pela responsabilização do Poder Público na omissão de atitudes protetivas
e políticas públicas destinadas também à essa questão.
Expliquei que o levantamento cadastral e
posterior notificação dele aos órgãos públicos e entidades não garantem a
resolução do problema mas sim, tentam contribuir para a sua resolução, fazendo
com que o direito à dignidade da pessoa humana seja respeitada como prevê a
nossa lei maior, a Constituição Federal, ou seja, acima de qualquer outro
valor, bem assim, acima do direito de propriedade, já que nos termos da
Constituição Federal o direito de propriedade não é maior que o direito à
dignidade, pelo contrário, se submete ao respeito à dignidade da pessoa humana.
Expliquei que não estávamos defendendo a
existência de favelas nem o desrespeito aos direitos do outro, no caso, do
proprietário da terra, mas sim, que defendíamos com a ação do levantamento
cadastral e notificação dos órgãos públicos, o respeito aos direitos de todos e
não só do proprietário, como aconteceu na Favela da Família, fazendo com que na
execução de medidas concernentes às favelas, sejam respeitados os direitos de
todos, e assim, que as ações sejam feitas com políticas públicas que considerem
todos e não mais com violência, como foi na Favela da Família, onde só se
considerou o proprietário da terra.
Expliquei que todas as questões, incluindo
a questão dos excluídos de programas habitacionais, devem ser analisadas e
acompanhadas pelos órgãos públicos de proteção, a Defensoria Pública e o
Ministério Público, oportunidade em que falei para procurarem citados órgãos
para a defesa de seus respectivos direitos.
Ao mesmo tempo, expliquei que citados
órgãos, já haviam sido notificados do levantamento cadastral e que, cientes da
situação, têm o dever de agir na defesa dos moradores, no entanto, a procura
dos moradores aos aludidos órgãos, pode acelerar essa defesa. E este ponto será
o próximo passo que quero dialogar, isto é, por intermédio de um representante
da comunidade, penso, o Marcos, instruir todas as pessoas que responderam ao
levantamento cadastral de irem na Defensoria Pública o quanto antes, para a
defesa de seus direitos e, ao mesmo tempo, avisarei o Defensor Público Victor
Hugo, da demanda de pessoas a serem encaminhadas, o que fica mais organizado,
tanto para a comunidade como para a instituição Defensoria.
Após, o candidato a prefeito pelo PT, João
Gandini, falou aos moradores.
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